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Os tratamentos à base de Cannabis podem causar dependência?

Atualizado em 21 de outubro de 2026 3 min de leitura

Os tratamentos à base de Cannabis podem causar dependência?
Neste artigo
  1. Abuso e dependência
  2. CBD medicinal e o risco de dependência
  3. Tratamentos à base de canabidiol
  4. São cenários bem diferentes, não é mesmo? 

O CBD medicinal é cada vez mais prescrito legalmente para tratamentos médicos diversos em todo o mundo. Por isso, é totalmente compreensível que médicos e pacientes (até por se tratar de algo recente) preocupem-se com o seu potencial de dependência. Então, vamos aos fatos.

A dependência de uma droga é um transtorno adquirido caracterizado por uma motivação poderosa de utilizá-la mesmo conhecendo consequências negativas que possam existir.  É importante não confundir dependência com o desejo natural de continuar tomando um medicamento que trata sintomas crônicos ​​ou dolorosos (que retornam quando a droga é interrompida). 

Abuso e dependência

Você já deve ter visto manchetes culpando certas drogas por seus extraordinários “poderes viciantes”, não é mesmo? Drogas, contudo, não são substâncias mágicas opressoras e, como sabemos, apenas uma pequena parcela de seus usuários se tornam viciados. Então, não podemos culpar apenas a droga pela dependência. Seria como culpar os alimentos pelo vício em comida e pelas compulsões alimentares, por exemplo.

Evidências nos dizem que, ao tratarmos casos clínicos de dependência, devemos olhar além das substâncias. Distúrbios psiquiátricos concomitantes (ansiedade, depressão e esquizofrenia) e fatores socioeconômicos (comunidades carentes com altos índices de desemprego ou subemprego) são, na realidade, responsáveis por uma parcela substancial desses comportamentos.

CBD medicinal e o risco de dependência

Um estudo recente, que comparou as principais substâncias lícitas e ilícitas, revelou que o potencial de dependência da cannabis é comparável ao da cafeína, e que apresenta, no geral, um perfil surpreendentemente seguro, com toxicidade muito menor do que substâncias amplamente utilizadas, como álcool, nicotina, opioides (morfina), barbitúricos (pentobarbital) e benzodiazepínicos (rohypnol).

Por tudo isso, para a OMS (Organização Mundial da Saúde), o canabidiol, também conhecido como CBD, não tem potencial de abuso. 

Tratamentos à base de canabidiol

Em um ambiente médico, pacientes recebem legalmente tratamento à base de cannabis, com produtos padronizados, seguros e consistentes, com a orientação e o acompanhamento de um profissional especializado.

São cenários bem diferentes, não é mesmo? 

Não é à toa que em todo o mundo o tratamento à base de Cannabis vem beneficiando pacientes que sofrem de condições que vão de dores crônicas, epilepsia e autismo até esclerose múltipla e câncer.

Fontes:

Schlag AK, Hindocha C, Zafar R, Nutt DJ, Curran HV. Medicamentos baseados em cannabis e dependência de cannabis: uma revisão crítica de questões e evidências. J Psicofarmacol. 2021: 269881120986393.

Gable, R. S. Acute toxicity of drugs versus regulatory status. in Drugs and Society: U.S. Public Policy, 149–162 (J. M. Fish, 2006).

Canabidiol (CBD). Relatório de pré-revisão. Comitê de especialistas sobre dependência de drogas. Organização Mundial da Saúde, 39ª Reunião, Genebra, 6-7 de novembro de 2017.

Morgan CJ, Freeman TP, Schafer GL, Curran HV. O canabidiol atenua os efeitos apetitivos do delta 9-tetra-hidrocanabinol em humanos fumando sua cannabis escolhida. Neuropsicofarmacologia. 2010; 35 (9): 1879-85. 

Freeman TP, Hindocha C, Baio G, Shaban NDC, Thomas EM, Astbury D, et al. Canabidiol para o tratamento do distúrbio de uso de cannabis: um estudo bayesiano adaptável e duplo-cego, controlado por placebo, randomizado e adaptativo. Psiquiatria Lancet. 2020.

Escrito por

Equipe CannaCare

Conteúdo produzido pela equipe editorial da CannaCare e revisado pela equipe médica. Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Revisão médica

Dr. Sérgio Rayol

Dr. Sérgio Rayol · CRM SP 165458

Diretor médico na CannaCare

Médico pela Universidade Estadual de Pernambuco (UPE). Especialista em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina e em Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Curso de Medicina Paliativa no Instituto Pallium (Buenos Aires). Curso de Medicina Canabinoide pela WeCann Academy.

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