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O que pode causar insônia? Entenda os principais fatores e como tratar

Sumário

Dormir bem é um dos pilares da saúde. Durante o sono, o organismo realiza processos fundamentais para a consolidação da memória, o equilíbrio hormonal, a recuperação física e o funcionamento adequado do sistema imunológico. Quando esse processo é interrompido ou se torna insuficiente, surgem impactos importantes na qualidade de vida e na saúde física e mental.

A insônia é um dos transtornos do sono mais comuns em todo o mundo e pode afetar pessoas de diferentes idades. Apesar de muitas vezes ser encarada como um problema passageiro, ela pode se tornar crônica e estar associada ao desenvolvimento ou agravamento de diversas condições clínicas, incluindo ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

De acordo com o I Consenso Brasileiro de Insônia, cerca de 30% a 50% da população apresenta sintomas de insônia em algum momento da vida, enquanto aproximadamente 10% desenvolvem insônia crônica, condição que exige avaliação médica e tratamento adequado.

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Neste artigo, você entenderá quais são as principais causas da insônia, como identificar seus sinais, quais fatores aumentam o risco de desenvolver o problema e quais são as opções de tratamento disponíveis, incluindo o papel da cannabis medicinal nas situações em que existe indicação clínica.

O que é insônia?

A insônia é um transtorno caracterizado pela dificuldade para iniciar o sono, permanecer dormindo durante toda a noite ou voltar a dormir após despertares frequentes. Algumas pessoas também acordam muito antes do horário desejado e não conseguem retomar o sono.

Entretanto, a insônia não se resume apenas ao número de horas dormidas. O diagnóstico considera também a qualidade do sono e os prejuízos causados durante o dia, como:

  • fadiga;

  • dificuldade de concentração;

  • alterações de memória;

  • irritabilidade;

  • sonolência diurna;

  • redução do desempenho profissional ou acadêmico;

  • piora da qualidade de vida.

Segundo a Classificação Internacional dos Transtornos do Sono (ICSD), a insônia pode ser classificada conforme sua duração:

  • Insônia aguda: dura dias ou poucas semanas e costuma estar relacionada a eventos estressantes.

  • Insônia crônica: ocorre pelo menos três vezes por semana durante três meses ou mais.

Além disso, atualmente entende-se que a insônia frequentemente não é uma doença isolada, mas um sintoma que pode estar relacionado a diversos fatores físicos, emocionais e comportamentais.

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O que pode causar insônia?

Não existe uma única causa para a insônia. Na maioria dos casos, diversos fatores atuam simultaneamente, tornando o problema mais complexo.

Especialistas costumam dividir essas causas em três grupos principais: fatores predisponentes, precipitantes e perpetuantes, modelo amplamente utilizado na medicina do sono.

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1. Estresse e acontecimentos da vida

O estresse é um dos principais gatilhos da insônia.

Situações como perda de emprego, problemas financeiros, separações, luto, conflitos familiares ou excesso de responsabilidades aumentam a ativação do sistema nervoso, dificultando o relaxamento necessário para iniciar o sono.

Em muitas pessoas, a insônia começa justamente após um evento estressante. Mesmo quando esse evento já foi resolvido, o cérebro pode permanecer em um estado de hiperalerta, favorecendo a manutenção do problema.

Esse fenômeno é conhecido como hiperexcitação (hyperarousal) e representa um dos mecanismos mais importantes da insônia crônica.

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Dra. Ana Beatriz Ferian da Fonseca fala sobre insônia

2. Ansiedade

A ansiedade está entre as causas mais frequentes da insônia.

Pessoas ansiosas costumam apresentar dificuldade para “desligar a mente” ao deitar. Pensamentos repetitivos, preocupações excessivas e antecipação de problemas aumentam o estado de alerta cerebral, tornando mais difícil iniciar o sono.

Além disso, despertares durante a madrugada também são comuns, muitas vezes acompanhados de sensação de inquietação, aceleração dos pensamentos ou palpitações.

A relação entre ansiedade e insônia é bidirecional: a ansiedade favorece a insônia, enquanto noites mal dormidas intensificam os sintomas ansiosos.

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3. Depressão

Alterações do sono são extremamente comuns em pessoas com depressão.

Embora algumas apresentem sonolência excessiva, muitas desenvolvem dificuldade para iniciar o sono ou, principalmente, acordam muito cedo pela manhã sem conseguir voltar a dormir.

A presença de insônia persistente pode, inclusive, aumentar o risco de desenvolvimento de episódios depressivos ao longo do tempo, motivo pelo qual seu tratamento adequado é considerado parte importante do cuidado em saúde mental.

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4. Maus hábitos de sono

A chamada higiene do sono inadequada está entre as causas mais comuns de insônia e frequentemente pode ser modificada.

Alguns hábitos que prejudicam o sono incluem:

  • horários irregulares para dormir;

  • uso de celular, computador ou televisão antes de deitar;

  • consumo de cafeína no período da tarde ou da noite;

  • refeições pesadas próximo ao horário de dormir;

  • consumo de bebidas alcoólicas;

  • cochilos prolongados durante o dia;

  • ambiente muito claro, quente ou barulhento.

Esses comportamentos interferem diretamente no ritmo circadiano e dificultam a indução do sono.

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5. Uso de medicamentos e substâncias estimulantes

Diversas substâncias podem provocar ou agravar a insônia.

Entre elas estão:

  • cafeína;

  • nicotina;

  • alguns antidepressivos;

  • corticoides;

  • medicamentos para emagrecimento;

  • descongestionantes nasais;

  • estimulantes utilizados para TDAH.

O álcool merece atenção especial. Apesar de facilitar o início do sono em algumas pessoas, ele reduz sua qualidade, favorece despertares durante a madrugada e prejudica as fases profundas do sono.

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6. Doenças clínicas

Diversas doenças podem causar insônia como sintoma secundário.

Entre as mais frequentes estão:

  • dor crônica;

  • refluxo gastroesofágico;

  • hipertireoidismo;

  • doenças respiratórias;

  • insuficiência cardíaca;

  • doença de Parkinson;

  • doença de Alzheimer;

  • doenças reumatológicas;

  • câncer.

Quando essas condições não estão bem controladas, a dificuldade para dormir costuma persistir.

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7. Outros transtornos do sono

Nem toda dificuldade para dormir significa insônia primária.

Alguns transtornos do sono apresentam sintomas semelhantes e precisam ser investigados pelo médico, como:

  • apneia obstrutiva do sono;

  • síndrome das pernas inquietas;

  • transtornos do ritmo circadiano;

  • parassonias;

  • movimentos periódicos dos membros durante o sono.

Nesses casos, tratar apenas a insônia pode não resolver o problema, sendo necessário identificar e abordar a condição de base.

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Quem tem maior risco de desenvolver insônia?

Embora qualquer pessoa possa apresentar episódios de insônia ao longo da vida, alguns grupos apresentam maior predisposição para desenvolver o problema de forma persistente.

Conhecer esses fatores de risco é importante para identificar precocemente a condição e adotar estratégias preventivas.

Mulheres

Estudos mostram que a insônia é mais frequente entre mulheres do que entre homens. Essa diferença pode estar relacionada às oscilações hormonais que ocorrem ao longo da vida, especialmente durante a gravidez, o período pós-parto, a perimenopausa e a menopausa.

Além dos fatores hormonais, mulheres também apresentam maior prevalência de transtornos de ansiedade e depressão, condições frequentemente associadas às alterações do sono.

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Pessoas idosas

Com o envelhecimento, o sono passa por mudanças fisiológicas naturais.

Os idosos costumam apresentar:

  • sono mais superficial;

  • maior número de despertares durante a noite;

  • redução do tempo de sono profundo;

  • tendência a dormir e acordar mais cedo;

  • maior frequência de cochilos durante o dia.

Essas alterações não significam necessariamente que todo idoso terá insônia. Entretanto, quando associadas a doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos ou redução da atividade física, aumentam significativamente o risco do transtorno.

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Trabalhadores em turnos

Profissionais que trabalham em horários alternados, especialmente durante a noite, frequentemente apresentam desalinhamento do ritmo circadiano.

Esse desequilíbrio dificulta que o organismo reconheça o momento adequado para dormir, favorecendo tanto a insônia quanto a sonolência excessiva durante o dia.

Entre os profissionais mais afetados estão:

  • enfermeiros;

  • médicos;

  • policiais;

  • bombeiros;

  • vigilantes;

  • profissionais da indústria;

  • motoristas.

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Pessoas com doenças crônicas

Doenças dolorosas, respiratórias, neurológicas ou cardiovasculares podem dificultar o sono de diversas formas.

Além do desconforto causado pelos sintomas, algumas doenças alteram diretamente os mecanismos responsáveis pela regulação do ciclo sono-vigília.

Entre elas destacam-se:

  • fibromialgia;

  • artrite reumatoide;

  • doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);

  • insuficiência cardíaca;

  • doença de Parkinson;

  • doença de Alzheimer;

  • câncer.

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Quais são as consequências da insônia?

Muitas pessoas acreditam que dormir pouco provoca apenas cansaço. Na realidade, os efeitos da privação do sono atingem praticamente todos os sistemas do organismo.

Quando a insônia se torna frequente, seus impactos deixam de ser apenas temporários e podem aumentar o risco de diversas doenças.

Alterações cognitivas

O sono exerce papel fundamental na consolidação da memória, na aprendizagem e na capacidade de concentração.

Pessoas com insônia costumam apresentar:

  • dificuldade para manter a atenção;

  • redução da produtividade;

  • lapsos de memória;

  • maior número de erros durante atividades do dia a dia;

  • redução da capacidade de tomada de decisão.

Esses prejuízos podem afetar tanto o desempenho profissional quanto acadêmico.

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Alterações emocionais

Dormir mal interfere diretamente no equilíbrio emocional.

É comum que pessoas com insônia apresentem:

  • irritabilidade;

  • redução da tolerância ao estresse;

  • alterações de humor;

  • ansiedade;

  • sintomas depressivos.

Da mesma forma, transtornos psiquiátricos podem piorar a qualidade do sono, formando um ciclo difícil de interromper sem tratamento adequado.

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Maior risco cardiovascular

Estudos mostram que a insônia crônica está associada ao aumento da atividade do sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de alerta do organismo.

Como consequência, podem ocorrer:

  • aumento da pressão arterial;

  • elevação da frequência cardíaca;

  • maior produção de hormônios relacionados ao estresse;

  • inflamação crônica de baixo grau.

Ao longo dos anos, esses mecanismos podem contribuir para o desenvolvimento de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Alterações metabólicas

Dormir pouco também interfere na regulação hormonal.

A privação crônica do sono pode favorecer:

  • resistência à insulina;

  • maior risco de diabetes tipo 2;

  • aumento do apetite;

  • preferência por alimentos ricos em açúcar e gordura;

  • ganho de peso.

Esses efeitos decorrem de alterações em hormônios envolvidos no controle da fome e da saciedade, como leptina e grelina.

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Redução da imunidade

O sistema imunológico depende do sono para funcionar adequadamente.

Pessoas que dormem mal por períodos prolongados apresentam maior suscetibilidade a infecções e podem apresentar recuperação mais lenta após doenças ou procedimentos cirúrgicos.

Além disso, a privação do sono está associada ao aumento de marcadores inflamatórios no organismo.

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Quando a insônia deixa de ser normal?

É comum passar uma ou duas noites mal dormidas diante de situações estressantes. Isso não significa, necessariamente, que exista um transtorno do sono.

Entretanto, alguns sinais indicam que a dificuldade para dormir merece avaliação médica.

Procure um profissional de saúde quando:

  • a dificuldade para dormir ocorre pelo menos três vezes por semana;

  • os sintomas persistem por mais de três meses;

  • existe sonolência excessiva durante o dia;

  • há prejuízo nas atividades de trabalho, estudo ou convivência social;

  • há necessidade frequente de utilizar medicamentos para dormir;

  • surgem sintomas de ansiedade, depressão ou alterações importantes do humor.

A avaliação clínica permite identificar se a insônia é um transtorno isolado ou consequência de outra condição médica que necessita de tratamento específico.

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Como é feito o diagnóstico da insônia?

O diagnóstico da insônia é essencialmente clínico e deve ser realizado por um médico, preferencialmente com experiência em medicina do sono, neurologia ou psiquiatria.

Na consulta, são avaliados diversos aspectos relacionados ao padrão de sono e ao estado geral de saúde do paciente. O objetivo é identificar a causa da dificuldade para dormir e excluir outros transtornos do sono que podem apresentar sintomas semelhantes.

Entre as principais informações investigadas estão:

  • horário habitual para dormir e acordar;

  • tempo necessário para adormecer;

  • número de despertares durante a noite;

  • sensação de descanso ao despertar;

  • presença de sonolência diurna;

  • uso de medicamentos, álcool, cafeína e outras substâncias;

  • histórico de doenças clínicas ou transtornos psiquiátricos;

  • hábitos relacionados à higiene do sono.

Em alguns casos, o médico pode solicitar exames complementares, como a polissonografia, principalmente quando há suspeita de apneia obstrutiva do sono, síndrome das pernas inquietas ou outros distúrbios do sono.

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Como tratar a insônia?

O tratamento da insônia depende da sua causa. Por isso, antes de iniciar qualquer intervenção, é fundamental identificar os fatores que estão contribuindo para o problema.

Na maioria dos casos, o manejo combina mudanças no estilo de vida, intervenções comportamentais e, quando necessário, tratamento medicamentoso. O objetivo não é apenas aumentar o tempo de sono, mas restaurar sua qualidade e reduzir os impactos da insônia na saúde física e mental.

As principais diretrizes internacionais recomendam priorizar as abordagens não farmacológicas como primeira linha de tratamento para a insônia crônica.

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Higiene do sono

A higiene do sono consiste em um conjunto de hábitos que favorecem o funcionamento adequado do ciclo sono-vigília.

Embora essas medidas, isoladamente, nem sempre resolvam casos de insônia crônica, elas fazem parte do tratamento e potencializam os resultados de outras terapias.

Entre as principais recomendações estão:

  • manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;

  • utilizar a cama apenas para dormir ou manter relações sexuais, evitando trabalhar ou assistir televisão no quarto;

  • reduzir a exposição a telas pelo menos uma hora antes de dormir;

  • evitar cafeína, nicotina e bebidas energéticas no período da tarde e da noite;

  • limitar o consumo de álcool, especialmente próximo ao horário de dormir;

  • realizar atividade física regularmente, preferencialmente durante o dia;

  • manter o quarto silencioso, escuro, confortável e com temperatura agradável;

  • evitar refeições pesadas nas horas que antecedem o sono.

Essas estratégias contribuem para fortalecer o ritmo circadiano e reduzir fatores que perpetuam a insônia.

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Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I)

Atualmente, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada o tratamento de primeira escolha para a insônia crônica.

Seu objetivo é modificar pensamentos, crenças e comportamentos que mantêm o problema ao longo do tempo.

Entre as principais técnicas utilizadas estão:

  • controle de estímulos;

  • restrição do tempo na cama;

  • técnicas de relaxamento;

  • reestruturação cognitiva;

  • educação sobre higiene do sono.

Diversos estudos demonstram que a TCC-I pode proporcionar benefícios duradouros, muitas vezes superiores aos observados com medicamentos após a interrupção do tratamento.

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Tratamento medicamentoso

Quando as medidas comportamentais não são suficientes ou quando a insônia provoca prejuízos importantes, o médico pode indicar medicamentos por tempo limitado.

Entre as opções disponíveis estão diferentes classes de hipnóticos e outros medicamentos, cuja escolha depende das características de cada paciente.

Entretanto, o uso desses medicamentos deve ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde, pois algumas substâncias podem causar:

  • tolerância;

  • dependência;

  • sonolência residual no dia seguinte;

  • alterações cognitivas;

  • maior risco de quedas, especialmente em idosos.

Por esse motivo, a automedicação não é recomendada.

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Cannabis medicinal pode ajudar no tratamento da insônia?

Nos últimos anos, o potencial terapêutico da cannabis medicinal para diferentes condições relacionadas ao sono tem despertado crescente interesse científico. No entanto, é importante compreender que as evidências disponíveis ainda apresentam limitações e que o tratamento deve ser sempre individualizado.

Os compostos mais estudados são o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), que interagem com o sistema endocanabinoide, um sistema fisiológico envolvido na regulação de diversas funções do organismo, incluindo o ciclo sono-vigília.

Pesquisas sugerem que essa interação pode influenciar aspectos relacionados ao início e à manutenção do sono em alguns pacientes. Entretanto, os efeitos variam conforme fatores como composição do produto, proporção entre CBD e THC, dose utilizada, horário de administração e condição clínica tratada.

Atualmente, a maior parte dos estudos indica que a cannabis medicinal pode beneficiar principalmente pacientes cuja insônia está associada a outras condições, como dor crônica, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e algumas doenças neurológicas. Nesses casos, a melhora do sono pode ocorrer como consequência do controle da doença de base.

Por outro lado, ainda não existem evidências robustas que sustentem o uso da cannabis medicinal como tratamento de primeira linha para a insônia primária. Revisões sistemáticas apontam que os resultados disponíveis são heterogêneos e reforçam a necessidade de estudos clínicos de maior qualidade metodológica para definir com maior precisão sua eficácia e segurança.

Por isso, quando existe indicação clínica, o tratamento deve ser conduzido exclusivamente por um médico habilitado, que avaliará o histórico do paciente, possíveis contraindicações, medicamentos em uso e a formulação mais adequada.

Na CannaCare, a prescrição de cannabis medicinal faz parte de uma abordagem individualizada, baseada em evidências científicas e sempre integrada ao acompanhamento clínico contínuo. O objetivo é tratar o paciente de forma global, considerando não apenas a dificuldade para dormir, mas também as condições de saúde que podem estar contribuindo para a insônia.

Conclusão

A insônia é um transtorno multifatorial que pode comprometer significativamente a saúde física, mental e a qualidade de vida. Embora episódios ocasionais de dificuldade para dormir sejam comuns diante de situações de estresse, a persistência dos sintomas merece investigação médica.

Identificar corretamente a causa da insônia é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Mudanças nos hábitos de sono, terapia cognitivo-comportamental e, quando indicado, tratamento medicamentoso podem proporcionar melhora importante da qualidade do sono e do bem-estar.

Em situações específicas, especialmente quando a insônia está relacionada a condições como ansiedade, dor crônica ou doenças neurológicas, a cannabis medicinal pode representar uma alternativa terapêutica. No entanto, sua utilização deve ser baseada em evidências científicas, respeitando as indicações clínicas e sempre com acompanhamento médico especializado.

Dormir bem é uma necessidade biológica e um componente essencial da saúde. Procurar ajuda profissional diante de dificuldades persistentes para dormir permite um diagnóstico adequado e aumenta as chances de um tratamento seguro, eficaz e individualizado.

Referências

Dra. Ana Beatriz Ferian da Fonseca
Escrito por

Dra. Ana Beatriz Ferian da Fonseca

Neurologista com um olhar voltado aos distúrbios do movimento, à cognição e ao manejo da dor, sempre atenta à qualidade de vida em cada fase do tratamento.

SP 168280 RQE: 102487

Neurologista com um olhar voltado aos distúrbios do movimento, à cognição e ao manejo da dor, sempre atenta à qualidade de vida em cada fase do tratamento.

A prática de Dra. Ana Beatriz nasce de uma formação sólida em neurologia. Da graduação à residência, formou-se na Faculdade de Medicina do ABC, base que orienta seu cuidado até hoje. Foi essa dedicação ao cérebro e ao movimento que a levou a se especializar em distúrbios do movimento e cognição — o território das demências e de condições como a doença de Parkinson.

Ao longo do caminho, passou a aplicar o tratamento com cannabis como uma das terapias possíveis para diferentes queixas dentro da neurologia, como enxaqueca, epilepsia, insônia, dor crônica e quadros neurodegenerativos.

Na CannaCare, Dra. Ana Beatriz já atendeu mais de 180 pacientes, unindo o rigor da neurologia a um cuidado humano e individualizado.

Graduada em Medicina (Faculdade de Medicina do ABC — FMABC)
Residência Médica em Neurologia (FMABC)
Fellowship em Distúrbios do Movimento e Cognição/Demências (FMUSP-RP)
Título de Especialista em Neurologia (Academia Brasileira de Neurologia)
Certificação Internacional em Medicina Endocanabinoide (WeCann — Endocannabinoid Global Academy)

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