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Explorando a Eficácia da Cannabis no Tratamento de Dores Neuropáticas

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Sumário

Esta condição, marcada por sensações dolorosas que advêm de lesões ou disfunções nos nervos, impõe barreiras cotidianas para milhões ao redor do globo. Devido à sua natureza complexa e à dificuldade de diagnóstico e tratamento, a dor neuropática frequentemente leva a um ciclo vicioso de dor e sofrimento, afetando profundamente a qualidade de vida dos indivíduos.

A dor neuropática distingue-se não apenas pelo seu mecanismo subjacente – o dano direto ou a disfunção dos nervos – mas também pela sua resistência aos tratamentos de dor convencionais. Analgésicos tradicionais, muitas vezes, se mostram ineficazes, deixando pacientes e médicos em busca de alternativas viáveis que possam oferecer alívio real e duradouro.

É neste cenário que a Cannabis pode ser uma ferramenta muito valiosa. Com suas propriedades terapêuticas reconhecidas através de séculos de uso, a Cannabis representa uma opção para compor o tratamento da dor neuropática. Através dos seus componentes ativos, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol), a Cannabis interage com o sistema endocanabinoide do corpo humano, um sistema complexo que desempenha um papel crucial na regulação da dor, do humor e de outras funções vitais.

Este artigo propõe uma exploração detalhada e fundamentada da eficácia da Cannabis no tratamento da dor neuropática. Apoiando-se em estudos científicos recentes, buscamos oferecer uma perspectiva abrangente sobre como a Cannabis pode aliviar a dor neuropática e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Abordaremos desde os mecanismos pelos quais a Cannabis atua no organismo até as evidências clínicas de seu impacto no alívio da dor, destacando também os desafios e as considerações importantes para pacientes e profissionais de saúde que consideram este tratamento. Através desta análise, pretendemos iluminar as possibilidades que a Cannabis oferece na luta contra a dor neuropática, promovendo uma discussão informada e baseada em evidências sobre seu potencial terapêutico.

O que é Dor Neuropática?

A dor neuropática representa um desafio considerável no campo da medicina devido à sua natureza complexa e ao impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Diferente da dor nociceptiva, que surge como um alerta para danos teciduais e tem uma função protetora, a dor neuropática é o resultado de lesões ou disfunções no próprio sistema nervoso. Este tipo de dor não apenas sinaliza a presença de um problema subjacente mas também é caracterizado por uma falha no mecanismo de processamento da dor do corpo, levando a uma experiência dolorosa prolongada e muitas vezes intensa sem um estímulo nocivo direto.

As causas da dor neuropática são variadas, englobando desde doenças crônicas até lesões traumáticas e tratamentos médicos específicos. O diabetes é um exemplo predominante, onde o excesso de glicose no sangue danifica os nervos ao longo do tempo, resultando em neuropatia diabética, principalmente afetando as extremidades como mãos e pés.

Infecções, como o vírus da herpes zoster, podem causar neuralgia pós-herpética, uma forma de dor neuropática que persiste após a resolução da erupção cutânea inicial. Lesões físicas que danificam os nervos podem também resultar em dor neuropática, que pode persistir muito além da cura da lesão física inicial devido à disfunção nervosa permanente.

Além disso, tratamentos para o câncer, incluindo certos tipos de quimioterapia, podem adversamente afetar os nervos, provocando dor neuropática como um efeito colateral desafiador tanto durante quanto após o tratamento. Doenças autoimunes, que impactam o sistema nervoso, como esclerose múltipla e lúpus, também podem ser fontes de dor neuropática devido à inflamação e dano nervoso que acompanham essas condições. Deficiências nutricionais, especialmente a falta de vitaminas do complexo B, são outra causa conhecida, levando à degeneração dos nervos e resultando em dor.

Esta variedade de causas sublinha a complexidade da dor neuropática e a dificuldade em tratá-la eficazmente com os métodos convencionais de gestão da dor. Os mecanismos exatos através dos quais a dor neuropática se desenvolve envolvem alterações na forma como os sinais de dor são transmitidos e processados pelo sistema nervoso, resultando em uma condição onde os pacientes experimentam dor sem um gatilho claro.

A compreensão desses mecanismos é chave para o desenvolvimento de tratamentos eficazes, abrindo caminho para abordagens terapêuticas inovadoras, como o uso medicinal da Cannabis, que tem demonstrado potencial no alívio dessa condição desafiadora.

Como a Cannabis age na dor neuropática?

A eficácia da Cannabis no tratamento da dor neuropática pode ser atribuída à sua interação com o sistema endocanabinoide (SEC) do corpo, uma rede extensa de receptores e neurotransmissores que desempenha um papel fundamental na regulação de diversas funções fisiológicas, incluindo a percepção da dor, o humor, o apetite e a resposta imunológica.

Este sistema é composto por dois tipos principais de receptores canabinoides, CB1 e CB2, que são ativados tanto por endocanabinoides produzidos naturalmente pelo corpo quanto por fitocanabinoides, que são compostos químicos encontrados na planta Cannabis.

Os componentes ativos da Cannabis, principalmente o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), interagem com o sistema endocanabinoide de maneiras distintas. O THC se liga principalmente aos receptores CB1, localizados no sistema nervoso central, e é responsável pelos efeitos psicoativos da planta.

Além disso, essa interação contribui para a redução da percepção da dor, agindo diretamente nas vias neurais que transmitem sinais de dor para o cérebro. Por outro lado, o CBD não se liga diretamente a esses receptores, mas influencia o sistema endocanabinoide de forma indireta, aumentando os níveis de endocanabinoides naturais e modulando os receptores não canabinoides envolvidos na dor e inflamação.

Estudos científicos têm demonstrado que a Cannabis pode aliviar a dor neuropática através de vários mecanismos. Primeiramente, a ativação dos receptores CB1 pelo THC pode reduzir a atividade dos neurônios que sinalizam a dor, diminuindo a sensação dolorosa.

Além disso, o CBD, com suas propriedades anti-inflamatórias, pode atenuar a inflamação que muitas vezes acompanha as condições neuropáticas, contribuindo para uma redução na dor. O CBD também tem efeitos sobre outros sistemas de sinalização envolvidos na percepção da dor, como os receptores de serotonina, o que pode explicar sua capacidade de aliviar a dor neuropática sem os efeitos associados ao THC.

A interação sinérgica entre o THC, o CBD e outros componentes menores da Cannabis, conhecida como o efeito entourage, também pode desempenhar um papel crucial no alívio da dor neuropática. Essa interação potencializa os efeitos terapêuticos dos compostos da planta, permitindo que menores doses sejam eficazes no tratamento da dor, reduzindo assim o potencial para efeitos colaterais.

A compreensão completa de como a Cannabis atua na dor neuropática ainda requer mais pesquisas. No entanto, os dados existentes sugerem que, ao interagir com o sistema endocanabinoide e outros sistemas de sinalização relacionados à dor, a Cannabis oferece uma abordagem válida para o tratamento da dor neuropática, proporcionando alívio para muitos pacientes que não respondem aos métodos convencionais de tratamento da dor.

Evidências Científicas sobre a Eficácia

A eficácia da Cannabis no tratamento da dor neuropática tem sido objeto de estudo em diversas pesquisas científicas, com resultados que destacam seu potencial terapêutico. 

Além da redução da dor, pesquisas têm evidenciado os benefícios adicionais da Cannabis na melhoria da qualidade de vida dos pacientes com dor neuropática. Por exemplo, estudos têm demonstrado que o uso de Cannabis pode contribuir para melhorias significativas no sono, reduzindo a dificuldade de adormecer e aumentando a duração do sono, aspectos particularmente valiosos para pacientes cuja dor crônica frequentemente interfere no descanso noturno.

O estudo de 2021 “A Multicriteria Decision Analysis Comparing Pharmacotherapy for Chronic Neuropathic Pain, Including Cannabinoids and Cannabis-Based Medical Products” conduzido por David Nutt, renomado neuropsicofarmacologista inglês especializado na pesquisa de drogas que afetam o cérebro, avaliou a relação custo-benefício de diferentes tratamentos farmacológicos para dor neuropática crônica, incluindo produtos à base de cannabis.

Produtos de cannabis com uma proporção de THC:CBD de 1:1 obtiveram a pontuação mais alta em termos de equilíbrio entre benefícios e segurança, sugerindo que podem ser mais eficazes do que outros medicamentos comumente usados para dor neuropática crônica, além de ter um perfil de efeitos colaterais mais favorável.

Este artigo, um relato de caso de uma paciente de 71 anos com dor neuropática crônica tratada com uma abordagem integrativa, incluindo acupuntura, massagem, yoga e cannabis medicinal. A paciente relatou uma melhora constante na dor. Este caso destaca a importância de uma abordagem individualizada complexa, destacando o engajamento do paciente em modalidades integrativas juntamente com o tratamento com cannabis.

A pesquisa recente Medical Cannabis in the Treatment of Parkinson’s Disease (2023) explorou o impacto do uso de cannabis no tratamento sintomático de pacientes com doença de Parkinson. 87% dos pacientes notaram uma melhoria em qualquer sintoma do PD após iniciar o MC. Os sintomas com maior incidência de melhoria incluíram cãibras/distonias, dor, espasticidade, falta de apetite, discinesia e tremor. Este estudo sugere que o MC pode melhorar os sintomas motores e não motores em pacientes com doença de Parkinson.

Um Novo Horizonte no Tratamento da Dor Neuropática

A Cannabis apresenta-se como uma opção de tratamento potencialmente eficaz para a dor neuropática, respaldada por evidências científicas e relatos de pacientes. Enquanto o campo da medicina continua a explorar e entender melhor os benefícios e limitações da Cannabis, a CannaCare está à frente, oferecendo suporte e orientação para aqueles interessados em considerar a Cannabis como parte de seu plano de tratamento.

Nosso time de especialistas está pronto para guiar os pacientes através da jornada de bem-estar com tratamentos baseados em Cannabis, enfatizando sempre o cuidado individualizado e o respaldo científico.

Se você ou alguém que conhece está sofrendo com dores neuropáticas e busca alternativas para alívio e melhoria da qualidade de vida, convidamos você a entrar em contato com a CannaCare. Juntos, podemos explorar as possibilidades que a Cannabis oferece na gestão da dor e abrir novos caminhos para o bem-estar.

Texto escrito por Mariana Ferreira

Revisão médica:

Dr. Sérgio Rayol – CRM SP 165458

Diretor médico na CannaCare.

Médico pela Universidade Estadual de Pernambuco (UPE). Especialista em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina e em Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Curso de Medicina Paliativa no Instituto Pallium (Buenos Aires). Curso de Medicina Cannabinoide pela WeCann Academy

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