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Tudo o que Você Precisa Saber sobre Cannabis Medicinal: Guia Completo para Pacientes

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A cannabis medicinal é uma planta com propriedades terapêuticas amplamente reconhecidas. Neste guia, exploraremos como ela é utilizada no tratamento de uma variedade de condições de saúde, oferecendo uma visão abrangente de seus benefícios, formas de administração, dosagem adequada e muito mais.

A história da Cannabis Medicinal

A história da cannabis é tão antiga quanto a civilização humana. Desde os primórdios, essa planta tem desempenhado um papel significativo na vida das pessoas, sendo utilizada tanto para fins medicinais quanto industriais. Remontando a milhares de anos, encontramos evidências do uso da cannabis na medicina tradicional em várias culturas ao redor do mundo, incluindo na antiga China, Índia, Egito e Grécia. Durante séculos, suas propriedades terapêuticas foram reconhecidas e utilizadas para aliviar uma variedade de sintomas e condições de saúde. No entanto, com o avanço da ciência e a evolução das políticas globais de drogas, a cannabis tornou-se objeto de controvérsia e proibição em muitos países. Felizmente, nas últimas décadas, tem havido um ressurgimento do interesse na cannabis medicinal, impulsionado por pesquisas científicas que comprovam sua eficácia no tratamento de várias condições médicas. Hoje, a cannabis está sendo cada vez mais reconhecida e legalizada em muitas partes do mundo, oferecendo novas esperanças e oportunidades para pacientes em busca de alternativas de tratamento seguras e eficazes.

Benefícios Terapêuticos:

A cannabis medicinal tem sido amplamente estudada devido aos seus diversos benefícios terapêuticos, e muitas pesquisas têm destacado suas propriedades promissoras no tratamento de várias condições médicas. Aqui estão alguns dos benefícios terapêuticos mais notáveis da cannabis medicinal, respaldados por estudos científicos:

  • Alívio da Dor Crônica: Estudos têm demonstrado que os cannabinoides presentes na cannabis, como o THC e o CBD, têm propriedades analgésicas eficazes no alívio da dor crônica relacionada a condições como fibromialgia, artrite e neuropatia. Um estudo publicado no Journal of Pain relatou que a cannabis medicinal foi associada a uma redução significativa na intensidade da dor em pacientes com dor crônica.
  • Redução da Ansiedade e Depressão: O CBD, em particular, tem sido estudado por seu potencial no tratamento da ansiedade e depressão. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Psychiatry mostrou que o CBD reduziu significativamente a ansiedade em pacientes com transtorno de ansiedade social, enquanto outro estudo publicado na Molecular Neurobiology sugeriu que o CBD possui propriedades antidepressivas.
  • Controle de Convulsões em Epilepsia: A cannabis medicinal tem mostrado ser eficaz no controle de convulsões em pacientes com epilepsia refratária. O CBD, em particular, tem sido objeto de estudos clínicos significativos devido ao seu potencial anticonvulsivante. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine relatou que o CBD reduziu significativamente a frequência de convulsões em pacientes com síndrome de Dravet, uma forma grave de epilepsia.
  • Melhora dos Sintomas de Transtornos do Espectro Autista (TEA): Alguns estudos preliminares sugerem que a cannabis medicinal pode ajudar a melhorar os sintomas associados ao TEA, como hiperatividade, agressão e distúrbios do sono. Embora mais pesquisas sejam necessárias nessa área, alguns pais e cuidadores relataram benefícios significativos do uso de cannabis medicinal em crianças com TEA.
  • Alívio de Náuseas e Estimulação do Apetite: A cannabis medicinal tem sido amplamente utilizada no tratamento de náuseas e perda de apetite associadas a condições médicas como câncer e HIV/AIDS. Tanto o THC quanto o CBD têm demonstrado propriedades antieméticas e estimulantes do apetite em estudos clínicos e observacionais.

Esses são apenas alguns dos muitos benefícios terapêuticos da cannabis medicinal que têm sido documentados em estudos científicos. No entanto, é importante notar que a eficácia da cannabis medicinal pode variar de pessoa para pessoa, e seu uso deve ser supervisionado por um médico qualificado.

Cepas e Composições Químicas

As cepas e composições químicas da cannabis são elementos fundamentais para entender seus efeitos terapêuticos e psicoativos. A planta de cannabis contém centenas de compostos químicos, incluindo canabinoides, terpenos e flavonoides, que contribuem para suas diversas propriedades medicinais. Vamos explorar mais detalhadamente cada um desses componentes:

  1. Canabinoides:

Os canabinoides são os principais compostos químicos encontrados na cannabis e são responsáveis por muitos de seus efeitos medicinais. Os dois canabinoides mais conhecidos são o THC (tetraidrocanabinol) e o CBD (cannabidiol), mas a planta contém muitos outros, como o CBG (cannabigerol), o CBN (cannabinol) e o CBC (cannabichromene).

O THC é o principal composto psicoativo da cannabis e é conhecido por seus efeitos intoxicantes. Ele também tem propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, antieméticas e estimulantes do apetite.

O CBD é um composto não psicoativo que tem demonstrado uma variedade de efeitos terapêuticos, incluindo propriedades analgésicas, ansiolíticas, anti-inflamatórias, anticonvulsivantes e neuroprotetoras. O CBD tem sido especialmente estudado por seu potencial no tratamento de epilepsia, ansiedade, dor crônica e outros distúrbios.

  1. Terpenos:

Os terpenos são compostos aromáticos encontrados em muitas plantas, incluindo cannabis, e são responsáveis por seus aromas característicos. Eles também têm uma variedade de efeitos terapêuticos e podem interagir com os canabinoides para produzir um fenômeno conhecido como “efeito entourage”, onde os diferentes compostos trabalham juntos para potencializar os benefícios terapêuticos da planta.

Alguns terpenos comuns encontrados na cannabis incluem o mirceno (com propriedades sedativas e relaxantes), o limoneno (com propriedades antiestresse e antidepressivas) e o pineno (com propriedades anti-inflamatórias e broncodilatadoras).

  1. Flavonoides:

Os flavonoides são compostos antioxidantes encontrados em muitas plantas, incluindo cannabis, e têm uma variedade de benefícios para a saúde. Embora os flavonoides na cannabis ainda não tenham sido tão extensivamente estudados quanto os canabinoides e terpenos, alguns estudos sugerem que eles podem ter propriedades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e anticancerígenas.

Ao escolher uma cepa de cannabis para uso medicinal, é importante considerar sua composição química, pois diferentes cepas podem ter perfis de canabinoides e terpenos distintos, resultando em efeitos terapêuticos diferentes. Consultar um médico ou especialista em cannabis é fundamental para determinar a cepa mais adequada para suas necessidades individuais.

Formas de Administração

Existem várias formas de administrar cannabis medicinal, cada uma com suas próprias vantagens e considerações. Abaixo, detalhamos algumas das formas mais comuns de administração:

  1. Inalação (Vaporização ou Fumo):
  • A inalação é uma das formas mais rápidas e eficazes de sentir os efeitos da cannabis medicinal. Isso ocorre porque os compostos ativos da cannabis entram diretamente na corrente sanguínea através dos pulmões.
  • A vaporização é uma alternativa mais saudável ao fumo, pois envolve o aquecimento da cannabis a uma temperatura mais baixa, o que libera os canabinoides e terpenos sem queimar a planta.
  • Fumar cannabis também pode ter efeito terapêutico, mas, devido às temperaturas excessivas, há perda de componentes medicinais e liberação de subprodutos tóxicos da combustão.
  1. Administração Oral (Comestíveis):
  • Os comestíveis são alimentos ou bebidas que foram infundidos com extratos de cannabis, como óleo ou manteiga de cannabis. Exemplos comuns incluem brownies, biscoitos, cápsulas, chocolates, bebidas, balas de gelatina (gummies), etc.
  • A administração oral pode produzir efeitos mais potentes e duradouros do que a inalação, pois os compostos são absorvidos de forma mais lenta e gradual (30 minutos a 2 horas), permanecendo mais tempo no organismo.
  1. Administração Sublingual (Óleos e Tinturas):
  • Os óleos e tinturas de cannabis são administrados sob a língua, onde são absorvidos diretamente na corrente sanguínea através das membranas mucosas bucais.
  • Esta forma de administração tem uma absorção rápida e eficiente, proporcionando um início de ação mais rápido do que os comestíveis.
  • Os óleos e tinturas geralmente vêm em frascos com um conta-gotas para facilitar a dosagem precisa
  • Essa forma de administração também conta com absorção intestinal, pois o que não foi absorvido na boca, passa para o restante do sistema digestivo.
  1. Administração Tópica (Loções, Pomadas e Bálsamos):
  • Os produtos tópicos de cannabis são aplicados diretamente na pele e são absorvidos pelos receptores canabinoides presentes na pele, músculos e articulações.
  • Esses produtos são frequentemente usados para aliviar a dor localizada, inflamação, espasmos musculares e outros problemas de pele, sem produzir efeitos psicoativos.
  • A administração tópica é ideal para pessoas que desejam os benefícios terapêuticos da cannabis sem experimentar os efeitos psicoativos associados ao consumo oral ou inalado.

Cada forma de administração da cannabis medicinal tem suas próprias características únicas e pode ser mais adequada para diferentes condições médicas ou preferências individuais. É importante conversar com um médico ou especialista em cannabis para determinar a melhor forma de administração e dosagem para suas necessidades específicas.

Sistema endocanabinoide (SEC)

O SEC tem um importante papel em nosso corpo: ele é responsável pela regulação de diversas manifestações comportamentais, ações metabólicas e tem função de nos trazer equilíbrio, a chamada homeostase.

Com o sistema endocanabinoide saudável, temos maior chance de:

  • Controlar o estresse
  • Aumentar motivação
  • Controlar a dor
  • Melhorar o foco e criatividade
  • Melhorar a coordenação motora
  • Promover a neuroproteção (proteção de nossos
  • neurônios) e a plasticidade neural
  • Melhorar a insônia e qualidade do sono
  • Regular o apetite
  • Entre outros benefícios

Nosso corpo também produz endocanabinoides, os mais famosos são chamados Anandamida e 2AG.

Os fitocanabinóides da Cannabis atuam juntamente com nossos endocanabinóides para adequada regulação do SEC.

Orientações de Dosagem

As orientações de dosagem são cruciais ao utilizar cannabis medicinal, pois determinar a dose adequada é fundamental para garantir um tratamento seguro e eficaz. Aqui estão algumas considerações importantes sobre as orientações de dosagem:

  1. Início Conservador: Ao iniciar o tratamento com cannabis medicinal, é recomendável começar com doses baixas e gradualmente aumentá-las conforme necessário. Isso permite que o paciente avalie sua sensibilidade aos efeitos da cannabis e minimize o risco de efeitos colaterais indesejados.
  1. Individualização da Dosagem: A dosagem ideal de cannabis medicinal pode variar significativamente de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como peso corporal, idade, metabolismo, sensibilidade individual e gravidade da condição médica. Portanto, é importante que cada paciente seja avaliado individualmente para determinar a dosagem mais apropriada.
  1. Consideração dos Canabinoides: A proporção de THC para CBD na cannabis pode influenciar a dosagem ideal. Por exemplo, uma cepa com alta concentração de THC pode exigir doses mais baixas para evitar efeitos psicoativos indesejados, enquanto uma cepa com alto teor de CBD pode exigir doses mais altas para obter o efeito terapêutico desejado.
  1. Forma de Administração: A forma como a cannabis é administrada também pode afetar a dosagem ideal. Por exemplo, a administração oral (comestíveis, óleos) geralmente requer doses mais elevadas do que a inalação (vaporização, fumo) devido à metabolização no fígado.
  1. Acompanhamento Médico: É fundamental que os pacientes sejam monitorados de perto por um médico ao ajustar a dosagem de cannabis medicinal. O médico pode ajudar a avaliar os efeitos do tratamento e fazer ajustes na dosagem conforme necessário para otimizar os resultados e minimizar os efeitos colaterais.
  1. Efeitos Individuais: Além da condição médica sendo tratada, outros fatores, como a resposta individual do paciente à cannabis, devem ser considerados ao determinar a dosagem. Alguns pacientes podem ser mais sensíveis aos efeitos da cannabis e requerer doses mais baixas para obter o mesmo benefício terapêutico.

É importante lembrar que a dosagem de cannabis medicinal é uma área de pesquisa em desenvolvimento, e as orientações podem variar com base em novas descobertas e evidências científicas. Portanto, é essencial trabalhar em estreita colaboração com um médico ou especialista em cannabis para garantir um tratamento seguro e eficaz.

Segurança e Efeitos Colaterais

A segurança e os efeitos colaterais são considerações importantes ao utilizar cannabis medicinal, e compreender esses aspectos é fundamental para garantir um tratamento eficaz e seguro. Abaixo, detalhamos alguns pontos essenciais sobre a segurança e os possíveis efeitos colaterais da cannabis medicinal:

  1. Segurança:

A cannabis medicinal é geralmente considerada segura quando usada de forma responsável e sob a orientação de um profissional de saúde qualificado.

No entanto, existem algumas preocupações de segurança a serem consideradas, incluindo o potencial de efeitos psicoativos indesejados, interações medicamentosas e efeitos adversos a longo prazo ainda não totalmente compreendidos.

A segurança da cannabis medicinal também pode variar dependendo de fatores como dose, método de administração, qualidade do produto e histórico médico do paciente.

  1. Efeitos Colaterais Comuns:

Os efeitos colaterais mais comuns associados ao uso de cannabis medicinal incluem boca seca (xerostomia), olhos vermelhos, aumento do apetite, sonolência, tontura e alterações no humor.

Em algumas pessoas, especialmente aquelas sensíveis aos efeitos psicoativos do THC, podem ocorrer sintomas de ansiedade, paranoia ou psicose temporária.

Esses efeitos colaterais geralmente são leves e temporários, e muitos podem ser mitigados ajustando-se a dosagem, a forma de administração ou a cepa da cannabis.

  1. Interações Medicamentosas:

A cannabis medicinal pode interagir com alguns medicamentos, o que pode aumentar ou diminuir seus efeitos. Por exemplo, o THC pode potencializar os efeitos de medicamentos sedativos, enquanto o CBD pode interferir no metabolismo de certos medicamentos, aumentando ou diminuindo sua eficácia.

É essencial que os pacientes informem seus médicos sobre todos os medicamentos que estão tomando, incluindo cannabis medicinal, para evitar potenciais interações prejudiciais.

Em resumo, embora a cannabis medicinal seja geralmente considerada segura, é importante que os pacientes estejam cientes dos possíveis efeitos colaterais e riscos associados ao seu uso. Trabalhar em estreita colaboração com um médico ou especialista em cannabis pode ajudar a minimizar esses riscos e garantir um tratamento seguro e eficaz.

Legislação e Regulamentação

A legislação e regulamentação relacionadas à cannabis medicinal variam significativamente de país para país e até mesmo dentro de regiões específicas. Aqui estão algumas considerações gerais sobre a legislação e regulamentação da cannabis medicinal:

  1. Legalidade:

A legalidade da cannabis medicinal varia amplamente em todo o mundo. Em alguns países e estados, o uso de cannabis medicinal é legal e regulamentado, enquanto em outros é estritamente proibido.

Nos últimos anos, tem havido um aumento significativo no número de países e estados que legalizaram o uso medicinal da cannabis devido ao crescente reconhecimento de seus benefícios terapêuticos.

  1. Acesso ao Tratamento:

A legislação geralmente define quem tem direito ao uso de cannabis medicinal, os requisitos para obter uma autorização médica e os processos para obter e usar produtos de cannabis medicinal legalmente.

Em muitos casos, os pacientes precisam obter uma recomendação ou prescrição de um médico qualificado para ter acesso legal à cannabis medicinal. Essa recomendação pode estar sujeita a critérios específicos, como uma condição médica qualificada.

  1. Cultivo e Produção:

A legislação também aborda questões relacionadas ao cultivo, produção e distribuição de cannabis medicinal. Em muitos países, apenas produtores licenciados podem cultivar cannabis para uso medicinal, e esses produtores devem aderir a regulamentações estritas para garantir a qualidade e segurança dos produtos.

  1. Qualidade e Segurança dos Produtos:

A regulamentação geralmente estabelece padrões de qualidade e segurança para produtos de cannabis medicinal, incluindo requisitos de teste de pureza, potência e contaminantes.

Esses padrões são projetados para proteger a saúde e segurança dos pacientes e garantir que os produtos de cannabis medicinal sejam seguros para consumo.

  1. Registro e Monitoramento:

Em muitos países, os pacientes que usam cannabis medicinal são registrados em um sistema de monitoramento, onde podem ser acompanhados de perto por autoridades de saúde e receber orientações sobre o uso adequado da cannabis medicinal.

O registro também pode ser usado para coletar dados sobre o uso de cannabis medicinal, eficácia do tratamento e eventos adversos para ajudar a orientar futuras políticas e regulamentações.

É importante que os pacientes e profissionais de saúde estejam cientes das leis e regulamentações locais relacionadas à cannabis medicinal e sigam as orientações aplicáveis ao usar ou prescrever tratamentos à base de cannabis. A conformidade com a legislação e regulamentação é essencial para garantir um tratamento seguro e legalmente válido.

No Brasil, o cenário da cannabis medicinal tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios e restrições em termos de legislação e regulamentação. Aqui estão algumas informações sobre o atual cenário da cannabis medicinal no Brasil:

  1. Legislação Atual:

No Brasil, a cannabis ainda é considerada uma substância controlada e é ilegal para uso recreativo. No entanto, em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 17/2015, que regulamenta o uso medicinal da cannabis no país.

A RDC 17/2015 permite a importação de produtos à base de cannabis para uso medicinal, desde que atendam a certos requisitos e sejam prescritos por um médico. Os pacientes precisam solicitar uma autorização especial à ANVISA para importar esses produtos.

  1. Autorização para Importação:

Para obter autorização para importar produtos à base de cannabis, os pacientes brasileiros precisam apresentar uma receita médica detalhada e uma solicitação à ANVISA. Uma vez aprovada, a autorização permite que o paciente importe uma quantidade específica de produto para uso pessoal.

  1. Produção Nacional:

Apesar das regulamentações que permitem a importação de produtos à base de cannabis, a produção nacional de cannabis para uso medicinal ainda não é legalizada no Brasil. No entanto, em 2019, a ANVISA aprovou uma resolução que permite o cultivo controlado de cannabis para pesquisa e produção de medicamentos no país.

  1. Desenvolvimento da Indústria:

O Brasil está começando a desenvolver uma indústria emergente de cannabis medicinal, com empresas nacionais e estrangeiras interessadas em explorar o mercado. No entanto, o progresso tem sido lento devido à complexidade das regulamentações e à incerteza política em torno do assunto.

  1. Desafios e Limitações:

Apesar dos avanços nas regulamentações, o acesso à cannabis medicinal no Brasil ainda é limitado para muitos pacientes devido aos altos custos de importação, burocracia e escassez de produtos disponíveis no mercado.

Além disso, há uma falta de conscientização e educação sobre cannabis medicinal entre profissionais de saúde e pacientes, o que pode dificultar o acesso e o uso adequado da terapia.

Em resumo, embora o Brasil tenha avançado na regulamentação da cannabis medicinal nos últimos anos, ainda existem desafios significativos a serem superados para garantir um acesso mais amplo e seguro a essa forma de tratamento. É importante que o governo, profissionais de saúde e a sociedade trabalhem juntos para desenvolver políticas mais abrangentes e eficazes nessa área.

Perguntas frequentes

As perguntas frequentes sobre cannabis medicinal abordam uma variedade de preocupações e dúvidas comuns que pacientes, cuidadores e profissionais de saúde podem ter sobre o uso dessa terapia. Abaixo estão algumas das perguntas mais comuns e suas respostas:

A cannabis medicinal é legal?

A legalidade da cannabis medicinal varia de acordo com o país e a região. Em muitos lugares, a cannabis medicinal é legal para uso com prescrição médica, mas ainda é ilegal para uso recreativo. É importante verificar as leis locais para determinar a legalidade no seu país ou estado.

Quais condições médicas podem ser tratadas com cannabis medicinal?

A cannabis medicinal tem sido estudada e utilizada no tratamento de uma variedade de condições médicas, incluindo dor crônica, ansiedade, epilepsia, náuseas, distúrbios do sono, doenças autoimunes, entre outras. No entanto, a eficácia da cannabis medicinal pode variar dependendo da condição e da resposta individual do paciente.

Como a cannabis medicinal é administrada?

A cannabis medicinal pode ser administrada de várias maneiras, incluindo inalação (vaporização ou fumo), administração oral (comestíveis, óleos), administração sublingual (tinturas), administração tópica (loções, pomadas) e outras formas.

Quais são os efeitos colaterais da cannabis medicinal?

Os efeitos colaterais mais comuns associados à cannabis medicinal incluem boca seca, olhos vermelhos, aumento do apetite, sonolência, tontura e alterações de humor. Em algumas pessoas, especialmente aquelas sensíveis aos efeitos psicoativos do THC, podem ocorrer sintomas de ansiedade, paranoia ou psicose temporária.

A cannabis medicinal é viciante?

A cannabis medicinal pode ter potencial para dependência psicológica em algumas pessoas, especialmente aquelas que usam doses altas por longos períodos de tempo. No entanto, o potencial de dependência é geralmente considerado menor do que o de substâncias como álcool, tabaco ou opióides.

Posso dirigir ou operar máquinas sob a influência de cannabis medicinal?

Não é recomendável dirigir ou operar máquinas enquanto estiver sob a influência de cannabis medicinal, pois isso pode afetar a coordenação motora, o tempo de reação e a capacidade de julgamento. É importante seguir as orientações do médico sobre o uso seguro da cannabis medicinal.

A cannabis medicinal pode interagir com outros medicamentos?

Sim, a cannabis medicinal pode interagir com outros medicamentos, o que pode aumentar ou diminuir seus efeitos. É importante informar seu médico sobre todos os medicamentos que está tomando, incluindo cannabis medicinal, para evitar potenciais interações prejudiciais.

Essas são apenas algumas das perguntas frequentes sobre cannabis medicinal, e é importante que os pacientes busquem orientação de profissionais de saúde qualificados para obter informações específicas sobre seu caso individual.

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Revisão médica:

Dr. Sérgio Rayol – CRM SP 165458

Diretor médico na CannaCare.

Médico pela Universidade Estadual de Pernambuco (UPE). Especialista em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina e em Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Curso de Medicina Paliativa no Instituto Pallium (Buenos Aires). Curso de Medicina Cannabinoide pela WeCann Academy

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