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Quais são os principais tratamentos para endometriose?

Sumário

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, ela pode provocar dores intensas, alterações intestinais e urinárias, dificuldade para engravidar e um impacto significativo na qualidade de vida.

Embora ainda não exista uma cura definitiva, os avanços da medicina permitem controlar os sintomas de forma eficaz e individualizada. Atualmente, o tratamento pode incluir medicamentos para alívio da dor, terapias hormonais, cirurgia, mudanças no estilo de vida e, mais recentemente, o uso do canabidiol como terapia complementar em casos selecionados.

Aqui, você conhecerá os principais tratamentos para endometriose e entenderá quando cada abordagem pode ser indicada.

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O que é endometriose?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica, dependente do estrogênio, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio em locais fora do útero, principalmente nos ovários, peritônio, ligamentos uterinos, intestino e bexiga.

Apesar de sua causa ainda não ser completamente esclarecida, acredita-se que fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais participem do desenvolvimento da doença. 

Uma das teorias mais aceitas é a da menstruação retrógrada, em que parte do fluxo menstrual retorna pelas tubas uterinas e permite a implantação dessas células na cavidade pélvica. Entretanto, como a maioria das mulheres apresenta algum grau de refluxo menstrual e apenas uma parcela desenvolve endometriose, outros fatores também parecem influenciar sua ocorrência.

A doença pode se apresentar em diferentes formas, incluindo endometriose superficial, ovariana (endometriomas) e profunda, sendo esta última geralmente associada a sintomas mais intensos.

Estima-se que entre 5% e 10% das mulheres em idade reprodutiva convivam com essa condição.

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Quais são os principais sintomas?

A intensidade dos sintomas varia bastante entre as pacientes. Algumas apresentam poucos sinais, enquanto outras convivem diariamente com dores incapacitantes.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • cólicas menstruais intensas (dismenorreia);

  • dor pélvica crônica;

  • dor durante as relações sexuais (dispareunia);

  • dor para evacuar ou urinar durante o período menstrual;

  • alterações intestinais cíclicas, como constipação, distensão abdominal e dor ao evacuar;

  • alterações urinárias relacionadas ao ciclo menstrual;

  • infertilidade.

Um dos maiores desafios é que o diagnóstico costuma ser tardio. Segundo a FEBRASGO, o intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico definitivo pode chegar a aproximadamente sete anos, o que reforça a importância da avaliação especializada diante de dores menstruais persistentes.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica, considerando o histórico da paciente e seus sintomas. O exame físico também pode revelar sinais sugestivos da doença.

Atualmente, exames de imagem especializados desempenham papel fundamental na investigação da endometriose. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética permitem identificar muitas lesões profundas e orientar o planejamento terapêutico.

Ao contrário do que acontecia há alguns anos, a videolaparoscopia deixou de ser utilizada rotineiramente apenas para confirmar o diagnóstico. Hoje, ela costuma ser indicada em situações específicas, principalmente quando há falha do tratamento clínico ou necessidade de abordagem cirúrgica.

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Quais são os principais tratamentos para endometriose?

O tratamento deve ser individualizado, considerando fatores como intensidade da dor, localização das lesões, idade, desejo reprodutivo e impacto da doença na qualidade de vida.

Segundo a FEBRASGO, a endometriose deve ser encarada como uma doença crônica, exigindo acompanhamento contínuo por uma equipe multidisciplinar composta por ginecologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e outros profissionais da saúde.

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Tratamento medicamentoso para controle da dor

O primeiro objetivo do tratamento costuma ser aliviar a dor.

Para isso, podem ser utilizados analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), principalmente durante os períodos de maior intensidade dos sintomas. Esses medicamentos ajudam no controle da dor, mas não impedem a progressão da doença.

Quando os sintomas persistem, outras estratégias costumam ser associadas ao tratamento.

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Tratamento hormonal

A terapia hormonal é considerada uma das principais estratégias clínicas para pacientes que não desejam engravidar naquele momento.

Seu objetivo é reduzir o estímulo hormonal sobre os focos de endometriose, diminuindo a atividade das lesões e, consequentemente, a dor.

Entre as opções utilizadas estão anticoncepcionais hormonais, progestagênios e agonistas do GnRH, sempre com indicação individualizada pelo ginecologista.

Embora essas terapias sejam eficazes para o controle dos sintomas em muitas mulheres, elas não eliminam definitivamente a doença, e os sintomas podem retornar após a interrupção do tratamento.

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Quando a cirurgia é indicada?

O tratamento cirúrgico costuma ser reservado para situações específicas, especialmente quando o tratamento clínico não proporciona controle adequado dos sintomas, quando há comprometimento funcional de órgãos como intestino, bexiga e ureteres ou quando existem lesões profundas e endometriomas que justificam a intervenção.

O principal objetivo da cirurgia é remover ou destruir os focos de endometriose, restaurar a anatomia da pelve e aliviar a dor. Em alguns casos, a abordagem também pode contribuir para melhorar a fertilidade, embora essa decisão deva ser individualizada conforme a idade da paciente, a extensão da doença e o desejo reprodutivo.

Atualmente, a videolaparoscopia é considerada a técnica cirúrgica de escolha por ser minimamente invasiva, proporcionar recuperação mais rápida e permitir maior precisão na retirada das lesões. No entanto, mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, existe possibilidade de recorrência da doença, motivo pelo qual o acompanhamento contínuo permanece fundamental.

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Mudanças no estilo de vida também fazem parte do tratamento

Embora não substituam o tratamento médico, hábitos saudáveis podem contribuir para o controle dos sintomas e para uma melhor qualidade de vida.

A abordagem multidisciplinar recomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) inclui profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos.

Entre as medidas que podem fazer parte do plano terapêutico estão:

  • prática regular de atividade física;

  • alimentação equilibrada;

  • fisioterapia para o assoalho pélvico;

  • manejo do estresse;

  • acompanhamento psicológico quando necessário.

Essas estratégias auxiliam principalmente no controle da dor crônica, na funcionalidade e no bem-estar físico e emocional das pacientes.

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O canabidiol pode ser um tratamento para endometriose?

Nos últimos anos, o uso medicinal da Cannabis e, principalmente, do canabidiol (CBD) tem despertado interesse como alternativa complementar para pacientes com endometriose, especialmente aquelas que apresentam dor pélvica persistente apesar dos tratamentos convencionais.

Isso ocorre porque o sistema endocanabinoide participa da modulação da dor, da inflamação e da resposta imunológica — mecanismos diretamente envolvidos na fisiopatologia da endometriose. Dessa forma, pesquisadores passaram a investigar se os canabinoides poderiam contribuir para o controle dos sintomas da doença.

As evidências disponíveis até o momento mostram resultados promissores, principalmente no manejo da dor. Revisões de literatura apontam que pacientes que utilizaram canabinoides relataram melhora da dor pélvica, da qualidade do sono e de sintomas associados, como ansiedade. Alguns estudos também observaram redução do uso de opioides e anti-inflamatórios após o início da terapia com canabinoides.

Em uma revisão de literatura publicada em 2023, os estudos analisados demonstraram que o uso de canabinoides foi eficaz no manejo da dor em aproximadamente 81% a 84% das pacientes avaliadas. Também foi observada redução importante no consumo de medicamentos utilizados para controle dos sintomas da endometriose, especialmente opioides e anti-inflamatórios não esteroidais.

Outra revisão sistemática, publicada em 2024, concluiu que o canabidiol apresentou potencial terapêutico para o tratamento da dor pélvica associada à endometriose, reforçando que essa abordagem pode integrar o manejo clínico da doença.

Apesar desses resultados, é importante destacar que as evidências ainda são consideradas limitadas. A maioria dos estudos disponíveis apresenta pequeno número de participantes ou metodologia heterogênea, o que impede estabelecer protocolos padronizados de dose, tempo de tratamento e indicações específicas.

Assim, o canabidiol não substitui os tratamentos convencionais, mas pode ser considerado como uma terapia complementar em pacientes selecionadas, sempre com avaliação médica individualizada e acompanhamento por um profissional habilitado na prescrição de Cannabis medicinal.

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Quando procurar um especialista?

Cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias relacionadas ao ciclo menstrual e dificuldade para engravidar não devem ser considerados sintomas “normais” da menstruação.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a fertilidade quando desejado e evitar a progressão da doença.

O tratamento deve ser individualizado e construído em conjunto com um ginecologista, considerando as características clínicas, os objetivos reprodutivos e as necessidades de cada paciente.

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Conclusão

A endometriose é uma doença crônica que exige diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e tratamento individualizado. Atualmente, existem diferentes estratégias terapêuticas capazes de controlar a dor, melhorar a qualidade de vida e preservar a função reprodutiva quando necessário.

O tratamento pode envolver medicamentos para controle da dor, terapia hormonal, cirurgia e uma abordagem multidisciplinar com mudanças no estilo de vida. Nos últimos anos, o canabidiol também passou a ser estudado como uma alternativa complementar para o manejo da dor associada à endometriose. Embora os resultados iniciais sejam promissores, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para definir seu papel na prática clínica.

Por isso, qualquer decisão sobre o tratamento deve ser tomada junto ao médico responsável, considerando as evidências científicas disponíveis e as necessidades individuais de cada paciente.

Referências

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolo FEBRASGO de Ginecologia nº 27: Endometriose. Femina. 2025;53(6):853-858.

  • Nácul AP, Spritzer PM. Aspectos atuais do diagnóstico e tratamento da endometriose. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2010.

  • Navarro PAAS, Barcelos IDS, Rosa e Silva JC. Tratamento da endometriose. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2006.

  • Souza MAP. O uso de canabinoides no tratamento da endometriose: uma revisão de literatura. Universidade Santo Amaro (UNISA). Trabalho de Conclusão de Curso, 2023.

  • Bezerra EFM, Cavalcanti IATQ, Jucá M. A eficácia do uso do canabidiol no tratamento de mulheres com endometriose: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences. 2024.

Dr. Sérgio Rayol
Escrito por

Dr. Sérgio Rayol

Uma das principais referências em tratamentos à base de cannabis medicinal do Brasil.

SP 165458

Médico com especialização em Hematologia e Hemoterapia pela FMUSP, construiu sua trajetória buscando soluções para pacientes sem resposta aos tratamentos convencionais. O interesse por qualidade de vida de seus pacientes, e cuidados paliativos o levou à estudar o uso da cannabis medicinal para diferentes patologias. Na CannaCare, une rigor científico e cuidado humano para oferecer um acompanhamento próximo e atualizado que fazem a diferença na qualidade de vida de seus pacientes.

•⁠ ⁠Diretor médico CannaCare
•⁠ ⁠Médico pela Universidade Estadual de Pernambuco (UPE)
•⁠ ⁠⁠Especialista em Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
•⁠ ⁠Especialista em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina
•⁠ ⁠Curso de Medicina Paliativa no Instituto Pallium (Buenos Aires)
•⁠ ⁠Curso de Medicina Canabinoide pela WeCann Academy

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