Neste artigo
A cannabis tem muitos benefícios medicinais e uma série de estudos comprovam sua eficácia para várias condições, de doenças degenerativas do sistema nervoso central a dores crônicas, e doenças mentais como ansiedade e depressão.Além disso, os medicamentos à base de fitocanabinoides podem ser consumidos de várias formas, revelando-se uma alternativa flexível e versátil para cuidar da saúde.No mercado legal, há várias maneiras de uso testadas e aprovadas, e aqui no Brasil já é permitido importar medicamentos canábicos para experimentar os diferentes usos.A seguir você descobre cinco formas de uso da cannabis medicinal — inalação, ingestão, sublingual, tópica e supositórios —, seus prós e contras, bem como suas particularidades, para escolher seu (s) favorito (s) e receber uma dose extra de saúde.
Inalação
Há duas maneiras de consumir cannabis medicinal por inalação: fumar e vaporizar, e ambas produzem efeito rapidamente e de forma similar.
No contexto medicinal, a vaporização é preferível ao fumo por uma série de fatores, como a redução na quantidade de hidrocarbonetos indesejados absorvidos pelo corpo e eliminação da necessidade de tabaco, que pode levar à dependência e outros problemas de saúde.
A vaporização é uma alternativa mais benéfica para a saúde, como aponta essa pesquisa, sendo mais indicada para pacientes médicos, pois também permite uma dosagem mais precisa para atender às necessidades terapêuticas do paciente.Fumar não é recomendado para o consumo de cannabis porque pode acarretar em danos da boca, língua e nos tecidos dos pulmões, entre outros prejuízos para a saúde.
Vaporização
A vaporização é o processo de aquecer a cannabis ou seus extratos em alta temperatura sem queimá-la, permitindo que os canabinoides e terpenos sejam liberados em forma de vapor, que é então inalado.
Vaporizar permite que os canabinoides sejam absorvidos diretamente na corrente sanguínea por meio dos pulmões, sendo o método muito útil para pacientes que necessitam de alívio imediato dos sintomas.
A vaporização é considerada a melhor forma de usar flores de cannabis quando se está focado nos benefícios terapêuticos e na redução de danos.
Embora a vaporização de cannabis seja mais segura do que fumar, ela pode oferecer riscos à saúde.
Esses riscos geralmente se relacionam ao uso de produtos de vaporização fabricados ilegalmente e produtos de vaporização com perfis químicos mais próximos aos de e-líquidos. Alguns deles incluem:
Para uma vaporização segura e eficaz, a flor de cannabis prescrita deve ser acompanhada de um vaporizador de grau médico comprovado.
Antes de usar um vaporizador, consulte um médico e apenas utilize essa via conforme recomendado.
É importante lembrar que no Brasil o uso do vaporizador não é regulamentado, inclusive, ele é proibido. Em contrapartida, em países como Estados Unidos e Canadá, por exemplo, essa via de tratamento é permitida e muito popular.
Fumar
Embora seja a maneira mais antiga e comum de consumo da cannabis, essa forma é proibida no Brasil, e não recomendada para pacientes, devido aos riscos à saúde e à variabilidade e imprevisibilidade da resposta de cada indivíduo.Outros métodos de consumo são recomendados e consideradas alternativas mais saudáveis para pacientes, como ingestão, métodos sublinguais ou vaporização.
Ingestão
Esse método inclui qualquer medicamento de cannabis que seja consumido oralmente, como comestíveis, tinturas, óleos, cápsulas e extratos.
Os seus efeitos demoram mais a aparecer em comparação com a inalação, mas também duram mais.
Esse tipo de tratamento, no geral, é ideal para condições médicas ou sintomas nos quais é necessário o controle por períodos mais longos e assemelha-se a outros tipos de medicamentos de liberação lenta.
Na ingestão, os canabinoides são absorvidos pelo seu sistema digestivo e trato gastrointestinal, antes de serem metabolizados no fígado. Como resultado, os efeitos são mais fortes e duradouros em comparação com outros métodos.
Tratamentos orais de cannabis medicinal podem vir sob a forma de tinturas, óleos, cápsulas, pastilhas ou sprays. Comestíveis infundidos com cannabis — como gomas, biscoitos, doces, bebidas e mais — são populares nos mercados regulamentados.
No Brasil esse meio ainda é proibido, apenas acessível por meio da importação regulamentada pela Anvisa.
Tópico
Os produtos de cannabis medicinal são aplicados diretamente sobre a pele, penetrando suas camadas superiores e proporcionando alívio localizado de inflamações, dores, irritações cutâneas e mais.Esta é uma das vias mais discretas de consumir cannabis e rica em variações, afinal os tópicos de cannabis medicinal podem vir em bálsamos, loções, cremes, unguentos, adesivos transdérmicos, entre outros.Em particular, os cremes com CBD mostraram eficiência no tratamento de sintomas de condições de pele como acne, psoríase e eczema, artrite, dor neuropática e dor na mandíbula em alguns pacientes.
Na maioria das aplicações tópicas, os canabinoides reagem com os receptores sob a pele, mas não alcançam a corrente sanguínea. No entanto, os adesivos transdérmicos são projetados para liberar canabinoides lentamente na corrente sanguínea ao longo de um período de tempo, geralmente produzindo efeitos dentro de 15 minutos.
Há evidências clínicas sugerindo os efeitos benéficos dos canabinoides tópicos no tratamento de uma gama de condições de pele. No entanto, mais pesquisas são necessárias nesta área.
Supositórios de Cannabis Medicinal
Oferecem uma dose direcionada de canabinoides a uma área localizada que pode ajudar a facilitar taxas de absorção mais altas no organismo.
Em outras palavras, oferecem alívio direto sem efeitos psicoativos, e já são realidade nos mercados legalizados, mas não ainda no Brasil.
São particularmente úteis para aqueles que sofrem de doenças relacionadas à região médio-inferior do corpo, incluindo doenças inflamatórias pélvicas, síndrome do intestino inflamatório, doença de Crohn, endometriose e dores na lombar, por exemplo.
Neste método, a cannabis medicinal é fornecida sob a forma sólida para ser inserida no reto ou na vagina. Os supositórios têm uma das maiores taxas de absorção de todos os métodos de entrega, produzindo efeitos dentro de apenas alguns minutos.
Afinal, qual a melhor maneira de uso da cannabis medicinal?
São muitas as maneiras de consumir medicamentos à base de cannabis, e é importante ressaltar que cada indivíduo experimenta cada medicamento de forma única. Por isso, o que funciona melhor para um paciente, pode não ser o ideal para você.
Sistemas endocanabinoides individuais, níveis de tolerância e outros fatores biológicos variam de pessoa para pessoa, portanto, é importante você descobrir quais métodos de consumo funcionam melhor para você de acordo com o seu tratamento e momento.
Então não há regras e sim a importância do autoconhecimento e do acompanhamento médico ideal para você explorar os amplos benefícios da medicina canábica em suas várias possibilidades.
Nossos profissionais estão comprometidos em ajudar você a fazer escolhas informadas sobre o uso dos produtos à base de cannabis. Trabalhamos com os melhores produtos do mercado e oferecemos consultas médicas com especialistas em diversas áreas, para discutir suas necessidades específicas. Através do nosso cuidado continuado, acompanhamos a jornada de tratamento e ajuste de dose dos nossos pacientes, proporcionando uma avaliação criteriosa e maximização dos resultados.
Se você está pensando em começar um tratamento com produtos à base de cannabis, ou tem mais perguntas que não foram respondidas neste artigo, encorajamos você a entrar em contato ou marcar uma consulta conosco. Afinal, cada pessoa é única e merece um cuidado personalizado para atingir seus objetivos de saúde. Estamos sempre aqui para você, para fazer parte da sua jornada de bem-estar.
Escrito por
Equipe CannaCare
Conteúdo produzido pela equipe editorial da CannaCare e revisado pela equipe médica. Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.
Revisão médica

Dr. Sérgio Rayol · CRM SP 165458
Diretor médico na CannaCare
Médico pela Universidade Estadual de Pernambuco (UPE). Especialista em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina e em Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Curso de Medicina Paliativa no Instituto Pallium (Buenos Aires). Curso de Medicina Canabinoide pela WeCann Academy.

Comentários